5/19/2011

Salmo 119

    Este Salmo se destaca por vários motivos. É o maior dos Salmos, e contém mais versículos do que qualquer capítulo da Bíblia. É um dos Salmos acrósticos, cada estrofe de 8 versículos começando com uma letra hebraica, e cada versículo na estrofe começando com a mesma letra (no original). Este Salmo destaca a importância e a perfeição da palavra de Deus, que guia os servos de Deus e os separa dos ímpios. Quase todos os versículos contêm uma ou mais palavras que identificam a palavra de Deus (lei, preceitos, caminho, decretos, mandamentos, etc.). O Salmo apresenta, também, alguns sub-temas. Por exemplo:
      A importância de buscar a Deus de todo o coração (2,7,10,34,58,69, 145)
      A base da confiança nas orações: Deus faz segundo a palavra/segundo as promessas dele (9,25,28,41,58,65,76,88,107,116,124,149, 154,156,159,169,170)
      O contraste entre aqueles que amam/temem ao Senhor e os ímpios que não o temem (95,110,119,163,47,48,97,113,127,132,155,159, 165,167)
      A importância de se lembrar/não se esquecer da lei do Senhor (16,52, 55,61,83,93,109,139,141,153,176)
    Na leitura do Salmo, medite nas mensagens de cada estrofe e cada versículo. Alguns dos assuntos tratados são:

    1-8 Álef – Buscar o Senhor de coração e seguir à risca os seus andamentos

    9-16 Beit – Seguir os preceitos de Deus, desde a juventude

    17-24 Guímel – Mesmo enfrentando adversidade, o servo que segue o caminho do Senhor sente sossego

    25-32 Dálet – Buscar a palavra de Deus, na tristeza e na alegria

    33-40 Hê – Inclinar o coração aos testemunhos de Deus e seguí-los até ao fim

    41-48 Vav – Falar a palavra de Deus, sem se envergonhar

    49-56 Zain - A palavra de Deus é motivo de alegria na tristeza

    57-64 Het – O Senhor é a porção e o companheiro dos fiéis

    65-72 Tet – A aflição ensina a valorizar a palavra

    73-80 Yod – A alegria dos fiéis X A vergonha dos soberbos

    81-88 Kaf – O oprimido espera nas promessas de Deus

    89-96 Lâmed – A perfeição ilimitada da palavra eterna

    97-104 Mem – Seguindo a palavra de Deus, a pessoa adquire mais entendimento do que inimigos, mestres e idosos

    105-112 Nun – Apesar de perseguições, deve induzir o coração a guardar todos os preceitos de Deus, sempre

    113-120 Sâmeh – A fidelidade do servo X a duplicidade dos mentirosos

    121-128 Ain – A justiça X a falsidade; Já é tempo para Deus intervir

    129-136 Pê – O seguidor de Deus não quer ser dominado pelo pecado

    137-144 Tsádi – A palavra de Deus é justa, pura, verdadeira, eterna, etc.

    145-152 Qof – Invocar o Senhor de todo o coração, o dia todo

    153-160 Resh – Vivificação segundo a promessa, os juízos, a bondade

    161-168 Shin – Amar a lei do Senhor ardentemente

    169-176 Tav – Súplica a Deus, porque o servo não se esquece da palavra do Senhor

Salmo 120 a 129

Jerusalém foi a cidade escolhida por Deus, a partir do reinado de Davi, como centro de louvor para todos os judeus. Várias vezes no ano, eles subiram para essa cidade, situada 750 metros acima do nível do mar, na região montanhosa de Judá. Os Salmos de subidas ou de degraus, também chamados de Salmos de romagem, eram cantados pelo povo que olhava para Jerusalém, se preparando para participar do louvor na cidade santa. Encontramos uma série de 15 destes Salmos (120 - 134), a maioria incluída nesta lição. Neles achamos bons exemplos das atitudes que devemos ter quando louvamos a Deus.

Salmo 120 A Angústia do Servo de Deus no Meio de Mentirosos

    1-2 O Salmista ora ao Senhor, pedindo livramento dos mentirosos ao seu redor

    3-4 A resposta da justiça de Deus destina os enganadores à ruína

    5-7 O Salmista descreve a sua angústia em habitar no meio dos adversários que odeiam a paz. Meseque e Quedar (descendentes de Ismael) representam povos descrentes e perversos (veja Ezequiel 38:2-3)
Salmo 121 O Senhor Te Guardará
    1-2 O socorro vem do Senhor, Criador do universo

    3-4 Deus é sempre vigilante; não negligencia o seu papel de proteger os fiéis

    5-8 O Senhor é quem guarda os seus servos de todo mal
Salmo 122 A Paz e a Prosperidade de Jerusalém
    1-2 Os adoradores sentem a alegria de chegar às portas de Jerusalém

    3-5 Eles olham para Jerusalém como a cidade onde as tribos se reúnem para louvar a Deus, e como a sede de um governo justo

    6-9 Eles oram pela paz e prosperidade de Jerusalém
Salmo 123 O Povo Desprezado Busca a Misericórdia de Deus
    1-2 O servo eleva os olhos ao Senhor, esperando uma manifestação da misericórdia de Deus. Outras passagens nos Salmos falam de elevar ou levantar a Deus os olhos (25:15; 121:1), a alma (25:1; 86:4; 143:8), a voz (77:1) e as mãos (63:4; 88:9; 119:48; 143:6); veja 1 Timóteo 2:8

    3-4 O povo, desprezado pelos soberbos, pede a misericórdia de Deus
Salmo 124 Só Deus Socorre e Salva o Seu Povo
    1-5 Se Deus não estivesse com o povo, eles teriam sido destruídos pelos inimigos (veja 73:25)

    6-7 Bendito seja Deus por salvar o seu povo

    8 Só Deus, o Criador do universo, é capaz de socorrer o seu povo
Salmo 125 Deus Dá Paz a Israel e Julga os Malfeitores
    1-3 O povo fiel é como um monte firme, protegido por outros montes ao seu redor. Aqui o Salmista compara Israel ao monte Sião (o monte do templo em Jerusalém) e Deus aos montes em volta da cidade, dando proteção constante para o seu povo

    4-5 Para fazer o bem e assegurar a paz dos fiéis, Deus necessariamente julgaria os malfeitores. Não é possível salvar os justos sem condenar os perversos

Salmo 126 A Alegria do Livramento de Jerusalém

    1-3 O povo se regozija porque Deus livrou Jerusalém

    4-6 O povo pede que Deus abençoe com prosperidade

Salmo 127 Se Construir sem Deus, Será em Vão
    1-2 Se tentar edificar a casa sem Deus, o esforço será em vão

    3-5 Filhos são uma bênção dada pelo Senhor
Salmo 128 Deus Abençoa o Homem Fiel
    1-4 Deus abençoa o homem que teme ao Senhor e lhe obedece (1,4). Ele é abençoado no seu trabalho (2). A família dele é abençoada (3)

    5-6 A bênção para o homem fiel inclui a esperança da prosperidade de Israel
Salmo 129 O Povo de Israel Oprimido, mas Protegido por Deus
    1-3 Ao longo da história, Israel sofreu opressão nas mãos de vários inimigos

    4 Mas Deus sempre salvou o seu povo e castigou os inimigos

    5-8 Deus fará uma diferença, deixando envergonhados os inimigos de Israel

Salmo 130 a 137

O povo de Israel gozava o privilégio especial da habitação de Deus no seu meio. Quando Davi levou a arca para Jerusalém, aquela cidade passou a ser a Cidade Santa, e representava a comunhão de Israel com o Senhor. Os fiéis celebravam esta comunhão, e sacerdotes justos conduziam o povo na adoração ao Senhor. O mesmo Deus que tirou os israelitas do Egito habitava em Jerusalém! O verdadeiro Deus de misericórdia, o Deus dos céus, mantinha uma relação especial com o povo de Israel. Os Salmos 130-134 completam a série de Salmos de degraus, e os próximos dois apresentam temas semelhantes sobre louvor do Deus que habita em Jerusalém. O último desta lição olha de um outro ponto de vista. É um Salmo de angústia expressando a lamentação do povo no cativeiro na Babilônia, longe de Jerusalém e sentindo saudades da Cidade Santa.

Salmo 130 Deus Perdoa Os que O Temem

    1-2 O Salmista clama a Deus, esperando ser ouvido

    3-4 Se Deus castigasse todos os pecados, ninguém sobreviveria; ele perdoa os que o temem (veja 1 João 1:7-9)

    5-8 Deus é misericordioso para perdoar aqueles que esperam nele

Salmo 131 A Alma Encontra Sossego em Deus
    1 O Salmista não se entrega ao orgulho

    2 Ele acha calma no Senhor, como uma criança no colo da mãe

    3 Israel deve esperar no Senhor
Salmo 132 A Aliança de Davi com Deus
    Este Salmo se refere à chegada da arca em Jerusalém, e ao desejo de Davi de preparar uma casa para Deus na cidade santa. Consiste em duas partes: as promessas de Davi a Deus (1-10) e as promessas de Deus a Davi (11-18). Compare 2 Samuel 7:1-17

    1-10 As Promessas de Davi a Deus
    Davi não descansaria até preparar lugar para Deus (1-5)
    O povo trouxe a arca para Jerusalém para adorar a Deus (6-7)
    Davi pede para Deus entrar no seu lugar de repouso e não desprezar o louvor do povo (8,10)
    Para isso, ele entende que os sacerdotes e os fiéis precisam louvá-lo em justiça (9)

    11-18 As Promessas de Deus a Davi
    Um descendente de Davi reinaria no seu trono (11)
    Se os seus descendentes fossem fiéis, Deus estabeleceria a dinastia de Davi (12)
    Deus escolheu Sião (o monte do templo) e pretendia habitar lá (13-14)
    Por sua presença, ele ia abençoar o povo (15)
    Ele vestiria os sacerdotes e daria motivo de alegria aos fiéis (16; veja 9)
    Ele exaltaria a força de seu ungido e o colocaria acima dos seus inimigos (17-18)
Salmo 133 A Abençoada Unidade de Irmãos
    1 É bom viverem unidos os irmãos (veja 1 Coríntios 1:10; João 17:21)

    2-3 A unidade dos irmãos é uma bênção que desce do céu

    3 O Senhor oferece esta bênção para sempre
Salmo 134 Bendizer ao Senhor
    1-2 Os que servem na Casa do Senhor devem bendizer o nome de Deus

    3 Deus, o Criador do universo, abençoa os seus servos
Salmo 135 Louvor ao Deus de Israel
    1-4 Deus merece louvor porque ele é bom para com o seu povo escolhido

    5-7 Deus é grande! Ele domina todo o universo

    8-12 Deus venceu os povos e deu a herança ao povo de Israel. Ele castigou o faraó do Egito (8-9), derrotou os reis no caminho para a terra (10-11) e expulsou os cananeus para
    dar sua terra a Israel (11-12)

    13-14 Jeová é o eterno e verdadeiro Deus

    15-18 Os ídolos são impotentes criaturas dos homens (compare 115:4-8)

    19-21 Deus merece o louvor de seu povo. Aqui ele usa quatro termos para identificar os fiéis (compare 115:9-11 e 118:2-4): Casa de Israel (19), Casa de Arão (19), Casa de Levi (20) e “vós que temeis ao Senhor” (20)
Salmo 136 A Misericórdia de Deus
    Este Salmo de louvor repete o estribilho “porque a sua misericórdia dura para sempre” em cada um de seus 26 versículos. Entre essas linhas, apresenta uma linha contínua de louvor, começando com a existência e supremacia de Deus, passando pela criação, e terminando com um resumo da história de suas obras para com Israel, desde o êxodo até o período dos juízes.

    1-4 Deus, o Senhor dos senhores, merece a gratidão do homem. No princípio, Deus (veja Gênesis 1:1)

    5-9 Deus é o Criador do universo (“No princípio, criou Deus os céus e a terra” – Gênesis 1:1)

    10-25 Deus demonstrara as suas grandes obras na história de Israel
    Na morte dos primogênitos (10; Êxodo 12)
    Na libertação dos israelitas das mãos dos egípcios (11-12; Êxodo 12-13)
    Na travessia do Mar Vermelho (13-14; Êxodo 14)
    Na derrota do exército do Egito no Mar Vermelho (15; Êxodo 14)
    Na passagem pelo deserto (16; Êxodo 15 em diante)
    Nas vitórias sobre reis como Seom e Ogue (17-20; Números 21)
    Na entrega de terras a Israel como herança (21-22; Josué)
    No livramento do povo de seus adversários (23-24; Juízes)
    Na alimentação de toda carne (25; a história do mundo)

    26 Deus merece louvor, “porque a sua misericórdia dura para sempre”
Salmo 137 Os Cativos Lamentam a Destruição de Jerusalém
    Este Salmo se enquadra no período do cativeiro na Babilônia, provavelmente logo após a queda de Jerusalém em 586 a.C. Judeus no cativeiro lembram do templo em Jerusalém, e não sentem a vontade de cantar louvores na terra estranha

    1-3 O povo no cativeiro sente saudades de Sião, e não consegue cantar com alegria no cativeiro na Babilônia

    4-6 Para eles, seria uma grande traição esquecerem-se de Jerusalém

    7-9 Eles pedem vingança contra os povos envolvidos na sua queda, especificamente contra:
    Edom (veja Obadias 11-14; Ezequiel 25:12-14)
    A Babilônia, a nação usada por Deus para castigar Judá. Foram excessivamente cruéis em cumprir essa tarefa, e Deus os castigou por isso (veja Jeremias 50-51; Habacuque 2)

Salmo 138 a 144

O Senhor conhece o homem, até os pensamentos mais íntimos de suas criaturas. O servo de Deus procura conhecer Deus, até tentando compreender os pensamentos do Criador. Aqueles que andam assim gozam a comunhão com o Senhor. Os outros, cujos pensamentos e procedimento contrariam a vontade de Deus, sofrem a ira reservada para os inimigos do Senhor.

Salmo 138 Louvor a Deus Porque Ele Atendeu a Oração de seu Servo

    1-3 Davi dá graças a Deus, porque o Senhor ouviu a sua oração

    4-6 Os reis devem louvar a Deus, porque ele é grande e, ao mesmo tempo, cuida dos humildes

    7-8 Davi confia no Senhor, independente de suas circunstâncias
Salmo 139 A Confiança do Servo Fiel no Deus Onisciente
    1-6 Deus conhece perfeitamente o homem, até sabe os pensamentos antes do homem agir

    7-12 Não importa onde o homem estiver, Deus o verá. Ele é onipresente

    13-16 Deus conhece o homem desde a barriga da mãe, pois o Senhor o formou

    17-18 Os pensamentos de Deus, muito acima da compreensão do homem, são preciosos para o servo fiel

    19-22 Davi pede a vingança contra os inimigos de Deus. Estes versículos servem como chave para entender os Salmos imprecatórios. O homem pede castigo divino contra os seus adversários, não por serem estes inimigos dele mesmo, mas por serem inimigos de Deus

    23-24 O Salmista pede que Deus sonde o coração e o guie no caminho certo. Nada de tentar esconder de Deus!
Salmo 140 A Proteção Divina
    1-3 Davi pede livramento do homem violento, que vive procurando o mal dos outros com seu coração, sua língua e seus lábios

    4-5 Ele pede proteção das ciladas armadas pelos violentos

    6-8 Ele pede que Deus ouça os seus pedidos enquanto nega os desejos dos ímpios

    9-11 Ele pede castigo divino para os seus perseguidores

    12-13 Ele mostra sua confiança na justiça e na proteção do Senhor
Salmo 141 Pedido por Pureza e Proteção
    1-2 Davi pede que Deus atenda a sua oração. A comparação da oração com o incenso sugere o simbolismo do incenso oferecido continuamente ao Senhor no tabernáculo e no templo (veja Apocalipse 5:8)

    3-5 Ele pede a ajuda de Deus para manter a sua pureza. Da mesma maneira que os homens violentos dedicam o coração, a língua e os lábios ao pecado (140:2-3), o servo de Deus dedica o coração, a língua e a boca a Deus, e não quer contaminá-los com a iniqüidade

    5-7 Os perversos seriam julgados, e a palavra do servo fiel permaneceria

    8-10 O servo confia em Deus, e assim espera a proteção de Deus contra os ímpios, que cairão nas armadilhas que prepararam para os outros
Salmo 142 O Servo Procura Refúgio em Deus
    1-3 Davi leva a sua súplica ao Senhor

    3-4 Entre os homens, não há nenhum refúgio nem proteção

    5-7 Somente no Senhor ele acha refúgio e livramento dos inimigos
Salmo 143 A Súplica de um Servo Oprimido
    1-2 Davi pede que Deus atenda a sua súplica, sem entrar em juízo com ele. Ninguém pode suportar a justiça de Deus, pois todos pecaram (veja Romanos 3:10,23)

    3-4 Ele vive perturbado pelas perseguições do seu inimigo

    5-6 Ele lembra das grandes obras de Deus e deseja a presença do Senhor

    7 Ele pede que Deus responda com urgência à sua oração

    8-11 Ele pede que Deus aja na vida dele:
    Faze-me ouvir (8)
    Mostra-me o caminho (8)
    Livra-me ... dos meus inimigos (9)
    Ensina-me a fazer a tua vontade (10)
    Guie-me ... por terreno plano (10)
    Vivifica-me (11)
    Tira da tribulação a minha alma (11)

    12 E, por outro lado, ele pede que Deus aja contra os seus inimigos. Ele apresenta o castigo dos ímpios como um ato de misericórdia, no sentido que a destruição dos perversos dá livramento aos fiéis

Salmo 144 O Excelso Deus Cuida do Seu Povo

    Este Salmo de Davi se divide em duas partes principais. Os primeiros 11 versículos falam da relação especial de Deus com seu servo, Davi. Os últimos 4 são uma oração de bênção para o povo de Israel. Na primeira parte há duas estrofes paralelas, terminando com refrãos quase idênticos (5-8, 9-11)

    1-11 Deus, o protetor e a força de Davi

    1-2 Deus protege e capacita Davi como guerreiro e rei

    3-4 Mas como é que o Deus sublime se preocupa com meros homens, que vivem por pouco tempo? (veja Tiago 4:14; 1 Pedro 1:24)

    5-8 Davi pede para o Deus Altíssimo estender a sua mão para o livrar dos seus inimigos (observe o refrão nos versículos 7 e 8, que será repetido no versículo 11)

    9-11 Davi louva a Deus, quem dá vitória e o livra da mão dos inimigos

    12-16 Este Salmo se encerra com uma bênção para o povo de Israel, chegando a conclusão:
    “Sim, bem-aventurado é o povo cujo Deus é o Senhor”

Salmo 145 a 150

Aleluia! Que Jeová seja louvado! O livro de Salmos é um livro de louvor, e os últimos Salmos são especialmente ricos em adoração a Deus. Ele merece a adoração dos anjos e dos homens por ser o Criador, Sustentador, Protetor e Juiz de todos. “Todo ser que respira louve ao Senhor. Aleluia!”

Salmo 145 Deus Merece Louvor por Sua Grandeza, Benevolência e Justiça

    1-2 Davi promete louvar a Deus constantemente e para sempre

    3-20 Deus merece este louvor por causa do seu caráter e de suas obras. O Senhor:
    É grande (3)
    É benigno e misericordioso (8,17)
    É bom para todos (9)
    É fiel em suas palavras (13)
    É santo em suas obras (13)
    Sustém os fracos (14)
    Alimenta os necessitados na sua benevolência (15-16)
    É justo (17)
    Está perto de seus servos (18)
    Atende as orações dos fiéis (19)
    Protege os que o amam (20)
    Extermina os ímpios (20)

    21 Todos devem louvar ao Senhor para sempre
Salmo 146 Louvado seja Deus, o Criador e Rei Eterno
    1-2 A palavra “aleluia” é um termo especial de louvor, que inclui uma forma do nome de Deus. Sempre deve ser pronunciada com reverência para com o Senhor. O Salmista promete louvar a Deus durante toda a sua vida

    3-4 Não devemos confiar em homens, nem nos mais poderosos, porque não são capazes de salvar, e seu poder é limitado ao pouco tempo que vivem

    5-7 Bem-aventurado aquele que confia no Senhor. Ele é o criador, o fiel sustentador, e o justo protetor dos oprimidos

    7-10 O Salmo encerra-se com uma série de declarações sobre as obras de Deus em relação ao seu povo. O Senhor:
    Liberta os encarcerados (7)
    Abre os olhos dos cegos (8)
    Levanta os abatidos (8)
    Ama os justos (8)
    Guarda os peregrinos (9)
    Ampara o órfão e a viúva (9)
    Transtorna o caminho dos perversos (9)
    Reina para sempre (10)
Salmo 147 Louvor para o Grande e Poderoso Deus de Israel

    Este Salmo, ao que parece do versículo 2, pertence ao período pós-exílico, quando Deus restaurou o povo a sua terra e edificou Jerusalém

    1 Deus merece cânticos de louvor, porque ele é bom e amável

    2-6 Ele deve ser louvado por suas grandes obras e por sua própria grandeza. O seu poder e seu entendimento são imensuráveis

    7-11 O Deus poderoso que sustém a vida não pode ser impressionado com a força militar do homem. Ele procura pessoas fiéis que confiam nele

    12-20 O povo de Israel tem motivos especiais para louvar a Deus, pois receberam bênçãos que não foram dadas a outras nações. Observe nestes versículos como Deus usa a sua palavra como instrumento ativo de poder: Ele “envia” ordens (15), “manda” a palavra (18) e “mostra” a palavra e as leis (19). Quem ignora os preceitos de Deus não recebe as suas bênçãos especiais (20)

Salmo 148 Deus Seja Louvado no Céu e na Terra
    Como vários outros, este Salmo começa e termina com a simples e reverente exclamação: “Aleluia!” (veja Salmos 106,113,135,146,149,150). Ele consiste em duas estrofes (1-6,7-14). Cada estrofe termina com dois versículos com a mesma estrutura (5-6,13-14): “Louvem o nome do Senhor, pois (porque)....”

    1-6 Louvai ao Senhor nos céus. Nesta primeira estrofe, tudo que há nos céus é convocado para adorar a Deus. Começa com os seres inteligentes (anjos) e vai até a criação material (sol, lua, água, etc.)

    7-14 Louvai ao Senhor na terra. Começa com a criação material (águas, animais, montes) e vai até os seres inteligentes (reis, povos, etc.)
Salmo 149 Um Novo Cântico de Louvor dos Servos Obedientes
    1 Um novo cântico: Seis vezes no livro de Salmos, ele fala de louvar a Deus com um cântico novo (33:3; 40:3; 96:1; 98:1; 144:9; 149:1). O homem nunca esgotará os motivos para adorar a Deus; sempre descobrirá novas razões para lhe dar honra e glória

    2-4 O Criador e Rei merece o louvor do seu povo, pois ele o salvou

    5-9 Os servos fiéis se dispõem como instrumentos da justiça do Senhor
Salmo 150 Todo Ser que Respira Louve ao Senhor!
    Já observamos que cada um dos cinco livros nos Salmos termina com uma bênção ou doxologia (Veja as doxologias dos primeiros quatro livros – 41:13; 72:18-20; 89:52; 106:48). O Salmo 150 serve como a bênção de encerramento do quinto livro, e da coleção inteira. Conforme as práticas de louvor no templo em Jerusalém, este Salmo pede o uso de diversos instrumentos na adoração a Deus. Observe estes aspectos do louvor citado:

    1 Onde? No santuário e no firmamento

    2 Por quê? Por suas obras e por sua grandeza

    3-5 Como? Com todo tipo de instrumento musical

    6 Quem? “Todo ser que respira louve ao Senhor. Aleluia!”

5/15/2011

Provérbios

O Livro de Provérbios foi escrito pelo sábio rei Salomão (Provérbios 1.1; 10.1; 25.1). Sua escrita ocorreu entre os anos de 1.037 a 998 a.C., durante o reinado de Salomão em Israel. O livro é constituído em forma de discursos, bem como de coleção de declarações sábias sobre assuntos práticos da vida. Embora tenha sido de autoria do rei Salomão, no reinado de Ezequias o Livro de Provérbios recebeu sua compilação, tendo sido posto em ordem pelos seus escribas (escrivães), que o colocaram em um só volume. Em toda a sua vida, Salomão compôs cerca de 3.000 provérbios e 1.005 cânticos (1º Reis 4.32). Ele próprio selecionou os provérbios do livro, e os colocou em ordem de escrita. Os escribas do rei Ezequias os colocaram em ordem temática.

O Livro de Provérbios possui 31 capítulos, 914 versículos e cinco grandes divisões. 1)O valor superior da sabedoria; 2)A atitude correta para com Deus; 3)Conselhos excelentes para governar a vida familiar; 4)Características que devem ser cultivadas e as que devem ser evitadas; 5)Orientações práticas para a vida cotidiana.

A primeira grande divisão do livro (O valor superior da sabedoria) possui cinco subdivisões: 1)Sabedoria (junto com compreensão) é a coisa principal (Provérbios 4.5-8; 16.16). 2)Elementos essenciais para se adquirir sabedoria (Provérbios 2.1-9; 13.20). 3)Benefícios resultantes da sabedoria, tais como segurança, proteção, honra, vida mais longa e mais feliz (Provérbios 2.10-21; 3.13-26, 35; 9.10-12; 24.6, 13,14). 4)A sabedoria personificada foi a colaboradora de Deus (Provérbios 8.22-31). 5) As conseqüências amargas de se deixar de agir sabiamente (Provérbios 1.24-32; 2.22; 6.12-15).

A segunda grande divisão do livro (A atitude correta para com Deus) possui seis subdivisões: 1)Confiar em Deus (Provérbios 3.5,6; 16.20; 18.10; 29.25). 2) Temer e evitar a maldade (Provérbios 3.7; 10.27; 14.26,27; 16.6; 19.23). 3)Honrá-lo por apoiar a adoração verdadeira (Provérbios 3.9,10). 4)Mostrar apreço por Sua Palavra (Provérbios 3.1-4; 30.5,6). 5)Descobrir o que Deus odeia e agir com esse conhecimento (Provérbios 6.16-19; 11.20; 12.22; 16.5; 17.15; 28.9). 6)Se agradarmos a Deus, Ele cuidará de nós, nos protegerá e ouvirá as nossas orações (Provérbios 10.3,9,30; 15.29; 16.3).

A terceira grande divisão do livro (Conselhos excelentes para governar a vida familiar) possui cinco subdivisões: 1)A esposa capaz é uma bênção por parte de Deus (Provérbios 12.4; 14.1; 18.22; 31.10-31). 2)Os pais devem treinar e disciplinar os filhos (Provérbios 13.1,24; 22.6,15; 23.13,14; 31.109-31). 3)Os filhos devem respeitar profundamente os pais (Provérbios 1.8,9; 4.1-4; 6.20-22; 10.1; 23.22-26; 30.17). 4) Amor e paz são qualidades muito desejáveis no lar (Provérbios 15.16,17; 17.1; 19.13; 21.9,19). 5)Resista à imoralidade e estará evitando muita dor e sofrimento (Provérbios 5.3-23; 6.23-35; 7.4-27; 9.13-18).

A quarta grande divisão do livro (Características que devem ser cultivas e as que devem ser evitadas) possui sete subdivisões: 1)Cultive consideração amorosa para com os pobres e os aflitos (Provérbios 3.27,28; 14.21,31; 19.17; 21.13; 28.27). 2)Seja generoso e evite a ganância (Provérbios 11.24-26). 3)Cultive e diligência e não seja preguiçoso (Provérbios 6.6-11; 10.26; 13.4; 20.4; 24.30-34; 26.13-16). 4)Modéstia e humildade trazem honra. Presunção e orgulho trazem à humilhação (Provérbios 11.2; 16.18,19; 25.6,7; 29.23). 5)Exerça autodomínio (tolerância) na questão da ira (Provérbios 14.29; 16.32; 25.28; 29.11). 6)Evite ter espírito maldoso ou o desejo de vingança (Provérbios 20.22; 24.17,18;28,29; 25.21,22). 7)Pratique a justiça em tudo (Provérbios 10.2; 11.18,19; 14.32; 21.3,21).

A quinta grande divisão do livro (Orientações práticas para a vida cotidiana) possui 14 subdivisões: 1)Corresponda corretamente à disciplina, à repreensão e ao conselho (Provérbios 13.18; 15.10; 19.20; 27.5,6). 2)Seja um amigo genuíno (Provérbios 17.17; 18.24; 19.4; 27.9,10). 3)Seja criterioso ao aceitar hospitalidade (Provérbios 23.1-3, 6-8; 25.17). 4)O materialismo é fútil (Provérbios 11.28; 23.4,5; 28.20,22). 5)O trabalho árduo resulta em bênçãos (Provérbios 12.11; 28.19). 6)Desenvolva práticas comerciais honestas (Provérbios 11.1; 16.11; 20.10,23). 7)Tome cuidado no que diz respeito a ser fiador (avalista) dos outros, especialmente de estranhos (Provérbios 6.1-5; 11.15; 22.26,27). 8)Evite conversa prejudicial: certifique- se de que sua conversa é edificante (Provérbios 10.18-21, 31,32; 11.13; 12.17-19; 15.1,2,4,28; 16.24; 18.8). 9)A lisonja é traiçoeira (Provérbios 28.23; 29.5). 10)Evite altercações: discutir ou polemizar (Provérbios 3.30; 17.17; 20.3; 26.17). 11)Evite más companhias (Provérbios 1.10-19; 4.14-19; 22.24,25). 12)Aprenda a lidar sabiamente com os zombadores (escarnecedores) e com os tolos (Provérbios 9.7,8; 19.25; 22.10; 26.4,5). 13)Evite as armadilhas das bebidas alcoólicas: a embriaguez (Provérbios 20.1; 23.29-35; 31.4-7). 14)Não inveje os ímpios ou iníquos (Provérbios 3.31-34; 23.17,18; 24.19,20).

Observações sobre o Livro de Provérbios: entre os Provérbios de Salomão foram encontradas palavras de AGUR (transcritas por Salomão) e da mãe do rei LEMUEL, as quais foram adicionadas ao livro pelo próprio Salomão. São os provérbios constantes dos capítulos 30 (30.1-33) e 31 (31.1-31) respectivamente. Os dois provérbios foram transcritos pelos escribas do rei Ezequias, quando este compilou o livro na íntegra. AGUR era filho do rei Jaque e foi autor do 30º capítulo do Livro de Provérbios. Viveu na corte de Salomão (entre 1.037 a 998 a.C.) e era um dos escribas do rei. LEMUEL era um dos muitos reis das nações circunvizinhas de Israel, que admiravam Salomão e com ele mantinham relações de amizade. Lemuel era um rei muito obediente à sua mãe, e prestou-lhe uma homenagem ao escrever o capítulo 31 do Livro de Provérbios, o qual Salomão também adicionou ao Livro.

Para efeitos didáticos, o Livro de Provérbios possui cinco grandes temas ou assuntos: 1)Provérbios de Salomão exaltando as bênçãos da sabedoria (capítulos 1 a 9). 2)Os provérbios de Salomão sobre vários assuntos (capítulos 10 a 24). 3)Outros provérbios de Salomão, transcritos pelos escribas do rei Ezequias (capítulos 25 a 29). 4) As palavras de Agur (capítulo 30). 5)As palavras da mãe do rei Lemuel (capítulo 31).

Rev. Dr. Venâncio Josiel dos Santos (PHD, DD, THD). Doutor em Teologia, Divindade e Filosofia da Religião. OTEAL nº 615 – OTEB nº 1.516

5/11/2011

Eclesiaste

O livro de Eclesiastes registra a busca de Salomão por significado e propósito na vida. Ele buscava valor real em diferentes áreas, mas o resultado final era deprimente. "Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade" (1:2). "Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol" (2:11). Ele achava a vida vazia e sem significado. Ele disse que era como caçar o vento: nunca se consegue pegá-lo. Estaremos constantemente frustrados se procurarmos ganhar algo na vida que não está nela. Quando reconhecemos que a vida é vazia, somos libertados para buscar seu verdadeiro significado fora desta existência temporal, e então encontramos o significado e propósito verdadeiro.

Eclesiastes contém quatro pensamentos básicos: Œ A busca do Pregador por valor real na vida; ele concluiu que tudo é vaidade.  Razões para as frustrações na vida. Ž Alguns modos melhores para viver a vida apesar dela ser vazia.  A única satisfação que há para um homem. Este artigo estudará os pontos 1, 2 e 4.

O escritor buscou significado em muitas áreas.
Œ Ele tentou a sabedoria: "Disse comigo: eis que me engrandeci e sobrepujei em sabedoria a todos os que antes de mim existiram em Jerusalém; com efeito, o meu coração tem tido larga experiência da sabedoria e do conhecimento. Apliquei o coração a conhecer a sabedoria e a saber o que é loucura e o que é estultícia; e vim a saber que também isto é correr atrás do vento. Porque na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta ciência aumenta tristeza" (1:16-18). Com o aumento da sabedoria veio o aumento da dor, porque maior percepção do mundo leva a maior frustração com as coisas tortas do mundo que não podem ser retificadas.  Ele buscou prazer: "Disse comigo: vamos! Eu te provarei com a alegria; goza, pois, a felicidade; mas também isso era vaidade. Do riso disse: é loucura; e da alegria: de que serve?" (2:1-2). Ž Ele procurou significado no uso moderado de álcool: "Resolvi no meu coração dar-me ao vinho, regendo-me, contudo, pela sabedoria, e entregar-me à loucura, até ver o que melhor seria que fizessem os filhos dos homens debaixo do céu, durante os poucos dias da sua vida" (2:3).  Ele tentou satisfazer-se com grandes realizações: "Empreendi grandes obras; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas. Fiz jardins e pomares para mim e nestes plantei árvores frutíferas de toda espécie. Fiz para mim açudes, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores" (2:4-6).  Ele comprou escravos: "Comprei servos e servas e tive servos nascidos em casa" (2:7). Ele acumulou grande riqueza: "Também possuí bois e ovelhas, mais do que possuíram todos os que antes de mim viveram em Jerusalém. Amontoei também para mim prata e ouro e tesouros de reis e de províncias" (2:7-8). Ele buscou divertimento e prazersexual: "Provi-me de cantores e cantoras e das delícias dos filhos dos homens: mulheres e mulheres" (2:8). Ele também observou o resultado da busca por popularidade (veja 4:13-16). Depois dessa análise detalhada, qual foi a conclusão final? "Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol" (2:11). Não havia satisfação em nenhuma destas buscas.

Razões para as Frustrações na Vida

Há boas razões pelas quais a vida é inerentemente insatisfatória, não importa quão bem sucedidas nossas buscas possam ser.

Œ Nenhuma realização. Nada realmente acontece na vida. Há uma infindável e cansativa sucessão de acontecimentos, mas não há resultado. Essa monotonia é bem ilustrada pelos ciclos naturais na terra (1:3-7). O sol se levanta, põe-se, e levanta-se novamente. Muita atividade, nenhuma mudança. O vento sopra para o norte, sopra para o sul, e sopra para o norte novamente. Muito movimento, nenhuma realização. Os rios correm para o mar, e correm para o mar, e correm para o mar. Estão em constante movimento mas jamais se esvaziam e o mar jamais se enche.

 Não se pode mudar nada. Nunca se consegue, realmente, fazer muita diferença. As coisas vão acontecer quando acontecerem e pouco haverá que se possa fazer para mudar isso. Este é o ponto do Pregador em 3:1-8 quando ele discute como há um tempo para tudo (veja também 3:14 e 8:8). Há muitas coisas importantes sobre as quais não temos, absolutamente, nenhum domínio: o clima, as condições econômicas, a guerra, a doença, a morte, etc. É frustrante estar à mercê de forças externas.

Ž Não se pode prever nada. "Porque este não sabe o que há de suceder; e, como há de ser, ninguém há que lho declare" (8:7). Há tantas incertezas, tantas perguntas sem respostas na vida. Podemos nos juntar a Jó ao perguntar por quê, e acompanhá-lo no passar de muitos dias agonizantes sem nenhuma resposta.

 O mesmo destino para todos. A mesma coisa acontece aos homens bons e aos perversos. "Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol: a todos sucede o mesmo" (9:1-3). A morte é muito democrática; há uma para todos. Quanto a esta vida, a mesma coisa que acontece conosco acontece aos animais: morremos e nossa carne apodrece (3:18-21). Se a vida atual fosse tudo o que há, nosso fim seria exatamente igual ao dos animais. Que deprimente!

 O acaso governa. "Vi ainda debaixo do sol que não é dos ligeiros o prêmio, nem dos valentes, a vitória, nem tampouco dos sábios, o pão, nem ainda dos prudentes, a riqueza, nem dos inteligentes, o favor; porém tudo depende do tempo e do acaso" (9:11). O sucesso não está sob o nosso comando. O melhor sujeito nem sempre ganha. Às vezes a vitória é apenas uma questão de sorte.

Nenhuma retenção. Aqui nada é durável. Poucos anos depois que morrermos ninguém se lembrará de nós nem se importará conosco. Nosso legado será passado para alguém que não trabalhou por ele e que, conseqüentemente, não o apreciará nem usará como nós o faríamos. "Pois, tanto do sábio como do estulto, a memória não durará para sempre; pois, passados alguns dias, tudo cai no esquecimento. Ah! Morre o sábio, e da mesma sorte, o estulto! ... Também aborreci todo o meu trabalho, com que me afadiguei debaixo do sol, visto que o seu ganho eu havia de deixar a quem viesse depois de mim. E quem pode dizer se será sábio ou estulto? Contudo, ele terá domínio sobre todo o ganho das minhas fadigas e sabedoria debaixo do sol; também isto é vaidade" (2:16, 18-19). O empenho humano não pode ser recordado, retido ou passado a outro.

Nenhuma satisfação. As pessoas freqüentemente pensam, "Se tivéssemos mais um pouco, poderíamos ser felizes." Assim conseguem um pouco mais; porém, ainda estão infelizes. As coisas desta vida nunca satisfazem; nosso vazio sempre fica mais e mais profundo. "Todo trabalho do homem é para a sua boca; e , contudo, nunca se satisfaz o seu apetite" (6:7).

Injustiça. A vida não é justa. Quem consegue o emprego ou a promoção? Muitas vezes é a pessoa que menos merece. Geralmente é preciso menos esforço para criar um problema do que para resolvê-lo. "Qual a mosca morta faz o ungüento do perfumador exalar mau cheiro, assim é para a sabedoria e a honra um pouco de estultícia" (10:1).

Velhice. Eclesiastes 12:2-8 registra uma descrição poética do envelhecimento. Em termos pitorescos, as fraquezas da velhice são descritas: as mãos trêmulas, a postura encurvada, os dentes perdidos, a visão diminuída, a audição debilitada, o sono intermitente, a voz áspera, o cabelo encanecido, o andar desajeitado, etc. Assim, se não morrermos antes, estaremos todos destinados a esse estado débil. Que deprimente!

A Verdadeira Satisfação na Vida

Necessitamos dessa mensagem. É má notícia. Mas precisamos receber as más notícias para procurarmos a cura. Podemos menosprezar o fato da vida ser vazia, podemos ocupar-nos em atividades frenéticas, podemos trombetear em alto som que estamos felizes e satisfeitos, mas não podemos escapar. Buscando sombras incontáveis ficamos cada vez mais vazios. Somente quando reconhecermos a total futilidade de todos os esforços nesta vida, nos voltaremos para aquele que pode dar o significado e a satisfação que buscamos. A vida realmente tem significado, propósito e valor quando nossa meta é servir a Deus. "De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más" (12:13-14). Há um espaço em nossa alma que somente Deus pode ocupar, e nunca estaremos em paz até que permitamos que ele a preencha.

Esta é a mensagem de Eclesiastes. A vida é vazia, a menos que façamos de Deus nossa vida. Ele é a única meta adequada de nossa existência. Sem ele descemos no vazio e no desespero, apesar de todos os esforços para nos enchermos com o mundo. "Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade" (1:2).